domingo, 28 de abril de 2013

Análise do livro "A mente e a memória: um pequeno livro sobre uma vasta memória" - parte 2

Bom dia gente! Estou lendo e analisando junto à aula de Introdução à Psicologia o livro chamado "A mente e a memória", de A. R. Luria
Já postei aqui a primeira parte da análise: http://blogdajuliasa.blogspot.com.br/2013/04/analise-do-livro-mente-e-memoria-um.html, e agora irei continuar a discorrer sobre o livro:

Como dito na análise anterior, S estava com grandes dificuldades para poder se concentrar e realizar suas apresentações: barulhos, sons, palavras sem sentido apareciam. Assim, para que pudessem eliminar a possibilidade de qualquer circunstância que pudesse dificultar a vida de S, várias técnicas foram sendo aplicadas.
A primeira delas foi a técnica de images eidéticas, que consistia na ampliação das dimensões das imagens que S pensava, tomando a precaução para que estivessem bem iluminadas e cuidadosamente dispostas. Desenvolveu também um sistema taquigráfico - de abreviações - para suas imagens. Assim, buscava eliminar a necessidade de imagens detalhadas. Inicialmente funcionou, mas com o passar do tempo, falhou. E a grande questão é: por quê? Simples! Porque todos nós buscamos aprender a memorizar algo, decorar algo. S precisava aprender a esquecer das coisas, já que se lembrava de praticamente tudo e esse acúmulo de informação estava o prejudicando.
Pensou então da seguinte maneira: "As pessoas tomam nota das coisas para não esquecê-las", assim, começou a anotar as coisas, pois a se ver, uma vez que tivesse anotado alguma coisa, não mais precisaria lembrar-se dela. Chegou até a queimar os pedaços de papel nos quais anotara o que desejava esquecer, mas nada disso adiantou.
Até que um dia percebeu que para esquecer algo, precisava simplesmente não querer lembrar e isso foi maravilhoso para sua auto estima. Sentiu-se extremamente bem e liberto, como se houvesse tirado um grande peso de suas costas.
Outra coisa muitíssimo interessante sobre S. que Luria relata muito bem no livro, é a existência de uma memória precisa desde muito cedo de sua vida. Em parte de sua narrativa, S diz que se lembra de parte da mobília de seu quarto quando não talvez não tivesse nem um ano de idade. Diz que se lembra de seu berço, do papel de parede do quarto, e mais claramente da luz e da diferença entre o dia, a noite, e a luz proveniente do abajur. Descreve ainda qual foi a sensação até começar a reconhecer as feições da mãe: "Isso é bom.", nenhuma forma ou rosto, apenas algo que inclinava sobre ele e lhe proporcionava sensações agradáveis.
Uma outra curiosidade interessante a respeito de S. é que ele associa determinados medos ou sensações à palavras. Por exemplo, ele associa a mancha de havia na parte interna do penico do quarto de seus pais à  palavra zhuk, pois ela o lembra algo escuro, como um besouro, uma barata na parede.
Porém, uma dúvida fica no ar: será realmente possível que uma criança com menos de um ano de idade consiga lembrar-se tão detalhadamente de coisas ao seu redor e sensações em determinados momentos de sua vida tão precoce? Será que tudo o que S. relatou não seria apenas fruto de sua imaginação fértil? Luria não toma partido em relação à isso e simplesmente foca-se nas reações sinestésicas difusas que, segundo neurologistas, só se manifestam em adultos com o tipo mais primitivo de sensibilidade, e que S. certamente possui.
É isso aí, gente! Aguardem a terceira parte!
Abraços, Júlia Sá

Um comentário:

  1. Prezada Júlia,

    li seu resumo e muito me interessou a história de S. e a possível sinestesia. me pergunto, a seguir, o que este caso nos diz sobre o ser humano. por que somos assim, as vezes, sinéstesicos ? por favor me explique. abordei pouco esse assunto no Discurso do método:
    "Mas o que leva muitas pessoas a se persuadirem de que há dificuldade conhecê-lo, e mesmo também em conhecer o que é sua alma, é o fato de nunca elevarem o espíritoalém das coisas sensíveis e de estarem de tal forma acostumados a nada considerar senãoimaginando, que é uma forma de pensar particular às coisas materiais, que tudo quantonão é imaginável lhes parece não ser inteligível. E isto é assaz manifesto pelo fato de os próprios filósofos terem por máxima, nas escolas, que nada há no entendimento que nãohaja estado primeiramente nos sentidos
    ,onde, todavia, é certo que as idéias de Deus e daalma jamais estiveram. E me parece que todos os que querem usar a imaginação paracompreendê-las procedem do mesmo modo que se, para ouvir os sons ou sentir os odores,quisessem servir-se dos olhos; exceto com esta diferença ainda: que o sentido da vista nãonos garante menos a verdade de seus objetos do que os do olfato ou da audição; ao passo que a nossa imaginação ou os nossos sentidos nunca poderiam assegurar-nos de qualquer coisa, se o nosso entendimento não interviesse."

    Rene Descartes

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