sábado, 6 de abril de 2013

O Novo Sentido do Tato - Análise

Semana passada, na aula de Introdução à Psicologia, foi pedido que lêssemos o texto 'O Novo Sentido do Tato', publicado na revista 'New Scientist' em 2 de junho de 2001 (páginas 30-33), por M. Scrope. O texto discorre a respeito de novas ferramentas que buscam contribuir positivamente em várias áreas da atuação humana através de orientações dadas por um sentido muitas vezes esquecido pelas pesquisas científicas: o tato.
Um dos projetos que visam utilizar do tato como principal sentido de direção é o macacão de vôo táctil. Esse instrumento dispõe de 32 tatores pneumáticos - vibradores impulsionados por um pulso de ar que passa por um fino tubo - que darão orientações a serem seguidas pelo piloto da aeronave através de vibrações na pele. Esses pulsos de ar serão liberados por um motor que bombeia jatos de ar de acordo com as informações dadas no painel da aeronave. Assim, o piloto saberá através de vibrações na pele qual a velocidade da aeronave, altitude, inclinação, mas principalmente, ajudará o piloto a distinguir o que é "em cima" e o que é "embaixo".
A distinção dessas posições é de extrema importância, pois nas situações em que não se pode contar com a visão para nos orientar ou com o sistema vestibular, - órgãos cheios de fluido em nosso ouvido interno, que nos passam, por exemplo, a sensação de equilíbrio e orientação - saber onde está o chão evita que o piloto conduza a aeronave em direção ao solo ou ao mar.
É lógico que aviões modernos são aptos a darem esse tipo de informação pelo painel de controle da aeronave, mas isso requer atenção, que muitas vezes com alguma turbulência no vôo, pode fazer com que o piloto fique confuso e acabe-a deixando de lado. Ainda foi logo constatado que após pouco tempo de uso, os pilotos das helicópteros foram capazes de manter a aeronave em modo de vôo estacionário sem precisarem olhar continuamente ao painel de controle e até mesmo realizarem loopings - manobras acrobáticas cujos aeromodelos dão uma volta completa sobre seus próprios corpos - vendados.
Outra aplicação que está sendo estudada é a utilização de tatores pneumáticos nos cintos de segurança de automóveis. Assim, quando uma criança surgisse abruptamente na frente do carro, por exemplo, o cinto vibraria intensamente no peito, indicando que algo está à frente. Se algo surgisse na lateral do carro, as vibrações viriam daquele lado do corpo de onde o objeto se aproximou do veículo.
Os cientistas ainda visam a implementação de tatores para ajudarem pessoas com problemas auditivos, substituindo os aparelhos cocleares - dispositivos eletrônicos que estimulam diretamente as fibras do nervo auditivo - por futuros aparelhos que emitam vibrações e que, por terem um sistema relativamente simples, acabam sendo mais baratos dos que os aparelhos cocleares. Os pesquisadores ainda pensam na utilização de tatores em celulares e até roupas, porém ninguém desenvolveu tatores tão versáteis até o momento, tendo em vista que muitos cientistas dedicam-se a estudar os outros sentidos do corpo, mas poucos ao estudo do tato.
Tendo em vista que o ser humano responde melhor a estímulos táteis do que estímulos visuais, - como quando  encostamos em algo quente com a mão e quase que imediatamente nos retraímos - esse estudo é de extrema importância, pois não dá tempo para pensarmos e, consequentemente errarmos. O indivíduo age instintivamente mais rápido quando sente do que quando simplesmente vê a ação, o que trás implicações para a segurança das pessoas, já que não conduz ao erro.
Infelizmente é, como já citado, um alvo de pouco interesse dos cientistas, que preferem se especializar nas diversas áreas de atuação da visão ou da audição. Porém a iniciativa de trazer o uso dos tatores não somente para o uso militar, mas também para o uso no dia a dia (cintos de segurança), é de grande importância  pois poderá trazer segurança também para o homem comum. As multinacionais automobilísticas Nissan e Honda já estão ajudando esses estudos em universidades para que possam desenvolver os sistemas táteis em seus automóveis.
Para quem se interessar pelo texto original e os projetos nele apresentados, deixo aqui o link de acesso à leitura: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe1706200101.htm
Abraços, Júlia Sá.

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