O livro "A mente e a memória", de A.R. Luria, conta em uma espécie de quase romance o caso da extraordinária memória de um homem chamado durante a narrativa apenas de S.
S vivia uma vida normal, e até acreditava que as pessoas ao seu redor também possuíam a mesma capacidade de memória dele, acreditava que era algo comum a qualquer indivíduo. Porém, quando foi trabalhar como jornalista em um jornal, seu chefe notou uma peculiaridade: S não precisava anotar o que ele pedia ou, simplesmente ouvia, decorava e realizava a tarefa.
Impressionado, seu chefe o recomendou procurar Luria em seu laboratório de psicologia, a fim de testar a capacidade de memória de S possuía.
Luria observou que a capacidade fenomenal de memória de S influenciava diretamente a sua vida e sua personalidade, e relata ainda que S possuía uma memória precisa desde muito pequeno (o texto sugere que ele já possui memória aos dois anos de idade).
Inicialmente, Luria não acreditou que sua pesquisa com S iria muito longe, porém sua opinião mudou drasticamente após o primeiro teste realizado. Esse primeiro teste que Luria realizou sob S foi para que ele memorizasse sequências aleatórias de letras, números e palavras que, não importando a ordem que fossem apresentados, ou se mais informações fossem adicionadas, S conseguia lembrar com precisão. ´
Uma das coisas mais interessantes do texto, em minha opinião, foi quando Luria também notou com o passar do tempo que S possuía um altíssimo grau de sinestesia -união de planos sensoriais diferentes. Por exemplo, o gosto com o cheiro, ou a visão com o tato - ou seja, ele relacionada determinada informação a uma cor, e isso facilitava a sua capacidade de memorização.
Com o passar dos anos, S começou a fazer apresentações para demonstrar o quão incrível a sua memória era (mnemonista), porém, em determinado momento, começou a ter dificuldades de memorizar o que as pessoas pediam que ele memorizasse em suas apresentações, e começou a se confundir e distrair com barulhos, sons e palavras que para ele não faziam sentido.
Aguardem a segunda parte!
Abraços, Júlia Sá.
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