Bom dia gente! Estou lendo e analisando junto à aula de Introdução à Psicologia o livro chamado "A mente e a memória", de A. R. Luria
Já postei aqui a primeira parte da análise: http://blogdajuliasa.blogspot.com.br/2013/04/analise-do-livro-mente-e-memoria-um.html, e agora irei continuar a discorrer sobre o livro:
Como dito na análise anterior, S estava com grandes dificuldades para poder se concentrar e realizar suas apresentações: barulhos, sons, palavras sem sentido apareciam. Assim, para que pudessem eliminar a possibilidade de qualquer circunstância que pudesse dificultar a vida de S, várias técnicas foram sendo aplicadas.
A primeira delas foi a técnica de images eidéticas, que consistia na ampliação das dimensões das imagens que S pensava, tomando a precaução para que estivessem bem iluminadas e cuidadosamente dispostas. Desenvolveu também um sistema taquigráfico - de abreviações - para suas imagens. Assim, buscava eliminar a necessidade de imagens detalhadas. Inicialmente funcionou, mas com o passar do tempo, falhou. E a grande questão é: por quê? Simples! Porque todos nós buscamos aprender a memorizar algo, decorar algo. S precisava aprender a esquecer das coisas, já que se lembrava de praticamente tudo e esse acúmulo de informação estava o prejudicando.
Pensou então da seguinte maneira: "As pessoas tomam nota das coisas para não esquecê-las", assim, começou a anotar as coisas, pois a se ver, uma vez que tivesse anotado alguma coisa, não mais precisaria lembrar-se dela. Chegou até a queimar os pedaços de papel nos quais anotara o que desejava esquecer, mas nada disso adiantou.
Até que um dia percebeu que para esquecer algo, precisava simplesmente não querer lembrar e isso foi maravilhoso para sua auto estima. Sentiu-se extremamente bem e liberto, como se houvesse tirado um grande peso de suas costas.
Outra coisa muitíssimo interessante sobre S. que Luria relata muito bem no livro, é a existência de uma memória precisa desde muito cedo de sua vida. Em parte de sua narrativa, S diz que se lembra de parte da mobília de seu quarto quando não talvez não tivesse nem um ano de idade. Diz que se lembra de seu berço, do papel de parede do quarto, e mais claramente da luz e da diferença entre o dia, a noite, e a luz proveniente do abajur. Descreve ainda qual foi a sensação até começar a reconhecer as feições da mãe: "Isso é bom.", nenhuma forma ou rosto, apenas algo que inclinava sobre ele e lhe proporcionava sensações agradáveis.
Uma outra curiosidade interessante a respeito de S. é que ele associa determinados medos ou sensações à palavras. Por exemplo, ele associa a mancha de havia na parte interna do penico do quarto de seus pais à palavra zhuk, pois ela o lembra algo escuro, como um besouro, uma barata na parede.
Porém, uma dúvida fica no ar: será realmente possível que uma criança com menos de um ano de idade consiga lembrar-se tão detalhadamente de coisas ao seu redor e sensações em determinados momentos de sua vida tão precoce? Será que tudo o que S. relatou não seria apenas fruto de sua imaginação fértil? Luria não toma partido em relação à isso e simplesmente foca-se nas reações sinestésicas difusas que, segundo neurologistas, só se manifestam em adultos com o tipo mais primitivo de sensibilidade, e que S. certamente possui.
É isso aí, gente! Aguardem a terceira parte!
Abraços, Júlia Sá
Sabe aquele blog onde você pode simplesmente discorrer a respeito de tudo que te interessa e chama a atenção? Pois então... Cá estou.
domingo, 28 de abril de 2013
Análise do livro "A mente e a memória: um pequeno livro sobre uma vasta memória" - parte 1
Em minha aula de Introdução à Psicologia foi pedido que os alunos lessem esse livro de Luria. É de uma leitura extremamente tranquila, tendo em visa que não se assemelha muito com um relato científico, mas com um romance em si. É um livro que capta o seu olhar e mente, com um enredo que, por mais que saibamos que é real, não aparenta ser. A análise do livro será feita em 3 partes. Eis aqui a primeira:
O livro "A mente e a memória", de A.R. Luria, conta em uma espécie de quase romance o caso da extraordinária memória de um homem chamado durante a narrativa apenas de S.
S vivia uma vida normal, e até acreditava que as pessoas ao seu redor também possuíam a mesma capacidade de memória dele, acreditava que era algo comum a qualquer indivíduo. Porém, quando foi trabalhar como jornalista em um jornal, seu chefe notou uma peculiaridade: S não precisava anotar o que ele pedia ou, simplesmente ouvia, decorava e realizava a tarefa.
Impressionado, seu chefe o recomendou procurar Luria em seu laboratório de psicologia, a fim de testar a capacidade de memória de S possuía.
Luria observou que a capacidade fenomenal de memória de S influenciava diretamente a sua vida e sua personalidade, e relata ainda que S possuía uma memória precisa desde muito pequeno (o texto sugere que ele já possui memória aos dois anos de idade).
Inicialmente, Luria não acreditou que sua pesquisa com S iria muito longe, porém sua opinião mudou drasticamente após o primeiro teste realizado. Esse primeiro teste que Luria realizou sob S foi para que ele memorizasse sequências aleatórias de letras, números e palavras que, não importando a ordem que fossem apresentados, ou se mais informações fossem adicionadas, S conseguia lembrar com precisão. ´
Uma das coisas mais interessantes do texto, em minha opinião, foi quando Luria também notou com o passar do tempo que S possuía um altíssimo grau de sinestesia -união de planos sensoriais diferentes. Por exemplo, o gosto com o cheiro, ou a visão com o tato - ou seja, ele relacionada determinada informação a uma cor, e isso facilitava a sua capacidade de memorização.
Com o passar dos anos, S começou a fazer apresentações para demonstrar o quão incrível a sua memória era (mnemonista), porém, em determinado momento, começou a ter dificuldades de memorizar o que as pessoas pediam que ele memorizasse em suas apresentações, e começou a se confundir e distrair com barulhos, sons e palavras que para ele não faziam sentido.
Aguardem a segunda parte!
Abraços, Júlia Sá.
O livro "A mente e a memória", de A.R. Luria, conta em uma espécie de quase romance o caso da extraordinária memória de um homem chamado durante a narrativa apenas de S.
S vivia uma vida normal, e até acreditava que as pessoas ao seu redor também possuíam a mesma capacidade de memória dele, acreditava que era algo comum a qualquer indivíduo. Porém, quando foi trabalhar como jornalista em um jornal, seu chefe notou uma peculiaridade: S não precisava anotar o que ele pedia ou, simplesmente ouvia, decorava e realizava a tarefa.
Impressionado, seu chefe o recomendou procurar Luria em seu laboratório de psicologia, a fim de testar a capacidade de memória de S possuía.
Luria observou que a capacidade fenomenal de memória de S influenciava diretamente a sua vida e sua personalidade, e relata ainda que S possuía uma memória precisa desde muito pequeno (o texto sugere que ele já possui memória aos dois anos de idade).
Inicialmente, Luria não acreditou que sua pesquisa com S iria muito longe, porém sua opinião mudou drasticamente após o primeiro teste realizado. Esse primeiro teste que Luria realizou sob S foi para que ele memorizasse sequências aleatórias de letras, números e palavras que, não importando a ordem que fossem apresentados, ou se mais informações fossem adicionadas, S conseguia lembrar com precisão. ´
Uma das coisas mais interessantes do texto, em minha opinião, foi quando Luria também notou com o passar do tempo que S possuía um altíssimo grau de sinestesia -união de planos sensoriais diferentes. Por exemplo, o gosto com o cheiro, ou a visão com o tato - ou seja, ele relacionada determinada informação a uma cor, e isso facilitava a sua capacidade de memorização.
Com o passar dos anos, S começou a fazer apresentações para demonstrar o quão incrível a sua memória era (mnemonista), porém, em determinado momento, começou a ter dificuldades de memorizar o que as pessoas pediam que ele memorizasse em suas apresentações, e começou a se confundir e distrair com barulhos, sons e palavras que para ele não faziam sentido.
Aguardem a segunda parte!
Abraços, Júlia Sá.
sexta-feira, 19 de abril de 2013
Medicina dos Afectos - Correspondência entre Descartes e a Princesa Elisabeth da Boémia - ANÁLISE
Elisabeth, a Princesa da Boémia, começa a trocar cartas em 1643 com o famoso filósofo René Descartes para pedir ajuda a esclarecer uma dúvida que insiste em perpassar sua cabeça: como a alma do homem pode determinar os espíritos do corpo a fazer as ações voluntárias. Descartes, honrado com o pedido da nobre, responde suas cartas tentando explicar da melhor maneira possível a sua teoria. O problema é que ele não consegue esclarecer a grande dúvida da soberana, e além de instigá-la ainda mais, permite que ela observe uma falha em seus pensamentos, uma contradição entre seus escritos anteriores e o que ele estava falando em suas cartas. Desta forma, a Princesa foi crucial para o desenvolvimento da filosofia cartesiana, pois foi inspiração para o livro "Paixões da Alma".
A medida que Elisabeth não consegue compreender o que o filósofo tenta deixar claro em suas correspondências, Descartes busca de maneira mal sucedida saciar a sua dúvida, e ela responde sempre com um tom muito gentil e delicado, porém indagando até o final dos escritos o porquê das ações contraditórias de Descartes e deixando muitíssimo claro que não consegue entender o fio de pensamento do filósofo.
Elisabeth também sofre de uma profunda tristeza, e busca na figura do filósofo, uma solução para seu grande mal, já que nenhum de seus médicos conseguiu encontrar a causa para sua melancolia. Porém Descartes é muito mais do que um sábio para Elisabeth; é um verdadeiro psicólogo, um confidente em que ela sabe que pode confiar absolutamente tudo, como deixa claro no trecho: "E asseguro-vos que os médicos, que me viram todos os dias e examinaram todos os sintomas do meu mal, não encontraram a causa respectiva nem prescreveram remédios tão salutares como fizestes de longe. Mesmo se eles tivessem sido bastante sábios para suspeitarem da parte que o meu espírito tinha na desordem do corpo, eu não teria tido a franqueza de lha confessar. Mas a vós, senhor, faço-o sem escrúpulos, estando certa que um relato tão ingênuo dos meus defeitos não retirará a parte que tenho da vossa amizade, antes ma confirmará ainda mais, porque vereis aí que ela me é necessária".
Ainda durante a narrativa, Descartes defende a compreensão do ser humano como um todo, não sendo apenas estudado diante à alma (o que entendemos como mente) ou o corpo, mas sim os dois unidos. Pois ao analisarmos só a mente ou só o corpo, nos focamos de maneira equívoca, tendo em vista que o corpo e a mente caminham juntos e devem ser tratados com igual importância.
Afirma também que a Princesa deve pensar coisas boas para que seus pensamentos positivos influenciem em seu semblante, de maneira com que sua mente, sua alma, possa melhorar o seu corpo e fazer com que ela fique curada mais rápido.
Afirma também que a Princesa deve pensar coisas boas para que seus pensamentos positivos influenciem em seu semblante, de maneira com que sua mente, sua alma, possa melhorar o seu corpo e fazer com que ela fique curada mais rápido.
É de uma leitura confusa, especialmente porque Descartes usa exemplos complexos e muitas vezes incompreensíveis para a maior parte da sociedade, que se baseia em fatos científicos e não em suposições, como era feito na época.
Ainda assim, ninguém sabe ao certo a resposta dessa dúvida tão importante para a Princesa: afinal como o corpo como reger a alma e vice versa? Fica então, o nosso questionamento.
A editora do livro é bem difícil de se achar (pelo menos em Brasília), então vale a pena procurar em sites de compra online. O site do extra é uma boa opção, pois o livro é bem mais barato do que nos sites de livrarias tradicionais: http://carrinho.extra.com.br/Site/Carrinho.aspx?idSku=241618&idLojista=15
Deixo aqui também o link para o download do índice do livro, caso alguém tenha o interesse em ler alguma carta em especial na internet: http://www.centrodefilosofia.com/uploads/pdfs/medicinadosafectos.pdf
Espero que tenham gostado!
Ainda assim, ninguém sabe ao certo a resposta dessa dúvida tão importante para a Princesa: afinal como o corpo como reger a alma e vice versa? Fica então, o nosso questionamento.
A editora do livro é bem difícil de se achar (pelo menos em Brasília), então vale a pena procurar em sites de compra online. O site do extra é uma boa opção, pois o livro é bem mais barato do que nos sites de livrarias tradicionais: http://carrinho.extra.com.br/Site/Carrinho.aspx?idSku=241618&idLojista=15
Deixo aqui também o link para o download do índice do livro, caso alguém tenha o interesse em ler alguma carta em especial na internet: http://www.centrodefilosofia.com/uploads/pdfs/medicinadosafectos.pdf
Espero que tenham gostado!
Abraços,
Júlia Sá
Júlia Sá
sábado, 6 de abril de 2013
O Novo Sentido do Tato - Análise
Semana passada, na aula de Introdução à Psicologia, foi pedido que lêssemos o texto 'O Novo Sentido do Tato', publicado na revista 'New Scientist' em 2 de junho de 2001 (páginas 30-33), por M. Scrope. O texto discorre a respeito de novas ferramentas que buscam contribuir positivamente em várias áreas da atuação humana através de orientações dadas por um sentido muitas vezes esquecido pelas pesquisas científicas: o tato.
Um dos projetos que visam utilizar do tato como principal sentido de direção é o macacão de vôo táctil. Esse instrumento dispõe de 32 tatores pneumáticos - vibradores impulsionados por um pulso de ar que passa por um fino tubo - que darão orientações a serem seguidas pelo piloto da aeronave através de vibrações na pele. Esses pulsos de ar serão liberados por um motor que bombeia jatos de ar de acordo com as informações dadas no painel da aeronave. Assim, o piloto saberá através de vibrações na pele qual a velocidade da aeronave, altitude, inclinação, mas principalmente, ajudará o piloto a distinguir o que é "em cima" e o que é "embaixo".
A distinção dessas posições é de extrema importância, pois nas situações em que não se pode contar com a visão para nos orientar ou com o sistema vestibular, - órgãos cheios de fluido em nosso ouvido interno, que nos passam, por exemplo, a sensação de equilíbrio e orientação - saber onde está o chão evita que o piloto conduza a aeronave em direção ao solo ou ao mar.
É lógico que aviões modernos são aptos a darem esse tipo de informação pelo painel de controle da aeronave, mas isso requer atenção, que muitas vezes com alguma turbulência no vôo, pode fazer com que o piloto fique confuso e acabe-a deixando de lado. Ainda foi logo constatado que após pouco tempo de uso, os pilotos das helicópteros foram capazes de manter a aeronave em modo de vôo estacionário sem precisarem olhar continuamente ao painel de controle e até mesmo realizarem loopings - manobras acrobáticas cujos aeromodelos dão uma volta completa sobre seus próprios corpos - vendados.
Outra aplicação que está sendo estudada é a utilização de tatores pneumáticos nos cintos de segurança de automóveis. Assim, quando uma criança surgisse abruptamente na frente do carro, por exemplo, o cinto vibraria intensamente no peito, indicando que algo está à frente. Se algo surgisse na lateral do carro, as vibrações viriam daquele lado do corpo de onde o objeto se aproximou do veículo.
Os cientistas ainda visam a implementação de tatores para ajudarem pessoas com problemas auditivos, substituindo os aparelhos cocleares - dispositivos eletrônicos que estimulam diretamente as fibras do nervo auditivo - por futuros aparelhos que emitam vibrações e que, por terem um sistema relativamente simples, acabam sendo mais baratos dos que os aparelhos cocleares. Os pesquisadores ainda pensam na utilização de tatores em celulares e até roupas, porém ninguém desenvolveu tatores tão versáteis até o momento, tendo em vista que muitos cientistas dedicam-se a estudar os outros sentidos do corpo, mas poucos ao estudo do tato.
Tendo em vista que o ser humano responde melhor a estímulos táteis do que estímulos visuais, - como quando encostamos em algo quente com a mão e quase que imediatamente nos retraímos - esse estudo é de extrema importância, pois não dá tempo para pensarmos e, consequentemente errarmos. O indivíduo age instintivamente mais rápido quando sente do que quando simplesmente vê a ação, o que trás implicações para a segurança das pessoas, já que não conduz ao erro.
Infelizmente é, como já citado, um alvo de pouco interesse dos cientistas, que preferem se especializar nas diversas áreas de atuação da visão ou da audição. Porém a iniciativa de trazer o uso dos tatores não somente para o uso militar, mas também para o uso no dia a dia (cintos de segurança), é de grande importância pois poderá trazer segurança também para o homem comum. As multinacionais automobilísticas Nissan e Honda já estão ajudando esses estudos em universidades para que possam desenvolver os sistemas táteis em seus automóveis.
Para quem se interessar pelo texto original e os projetos nele apresentados, deixo aqui o link de acesso à leitura: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe1706200101.htm
Abraços, Júlia Sá.
Um dos projetos que visam utilizar do tato como principal sentido de direção é o macacão de vôo táctil. Esse instrumento dispõe de 32 tatores pneumáticos - vibradores impulsionados por um pulso de ar que passa por um fino tubo - que darão orientações a serem seguidas pelo piloto da aeronave através de vibrações na pele. Esses pulsos de ar serão liberados por um motor que bombeia jatos de ar de acordo com as informações dadas no painel da aeronave. Assim, o piloto saberá através de vibrações na pele qual a velocidade da aeronave, altitude, inclinação, mas principalmente, ajudará o piloto a distinguir o que é "em cima" e o que é "embaixo".
A distinção dessas posições é de extrema importância, pois nas situações em que não se pode contar com a visão para nos orientar ou com o sistema vestibular, - órgãos cheios de fluido em nosso ouvido interno, que nos passam, por exemplo, a sensação de equilíbrio e orientação - saber onde está o chão evita que o piloto conduza a aeronave em direção ao solo ou ao mar.
É lógico que aviões modernos são aptos a darem esse tipo de informação pelo painel de controle da aeronave, mas isso requer atenção, que muitas vezes com alguma turbulência no vôo, pode fazer com que o piloto fique confuso e acabe-a deixando de lado. Ainda foi logo constatado que após pouco tempo de uso, os pilotos das helicópteros foram capazes de manter a aeronave em modo de vôo estacionário sem precisarem olhar continuamente ao painel de controle e até mesmo realizarem loopings - manobras acrobáticas cujos aeromodelos dão uma volta completa sobre seus próprios corpos - vendados.
Outra aplicação que está sendo estudada é a utilização de tatores pneumáticos nos cintos de segurança de automóveis. Assim, quando uma criança surgisse abruptamente na frente do carro, por exemplo, o cinto vibraria intensamente no peito, indicando que algo está à frente. Se algo surgisse na lateral do carro, as vibrações viriam daquele lado do corpo de onde o objeto se aproximou do veículo.
Os cientistas ainda visam a implementação de tatores para ajudarem pessoas com problemas auditivos, substituindo os aparelhos cocleares - dispositivos eletrônicos que estimulam diretamente as fibras do nervo auditivo - por futuros aparelhos que emitam vibrações e que, por terem um sistema relativamente simples, acabam sendo mais baratos dos que os aparelhos cocleares. Os pesquisadores ainda pensam na utilização de tatores em celulares e até roupas, porém ninguém desenvolveu tatores tão versáteis até o momento, tendo em vista que muitos cientistas dedicam-se a estudar os outros sentidos do corpo, mas poucos ao estudo do tato.
Tendo em vista que o ser humano responde melhor a estímulos táteis do que estímulos visuais, - como quando encostamos em algo quente com a mão e quase que imediatamente nos retraímos - esse estudo é de extrema importância, pois não dá tempo para pensarmos e, consequentemente errarmos. O indivíduo age instintivamente mais rápido quando sente do que quando simplesmente vê a ação, o que trás implicações para a segurança das pessoas, já que não conduz ao erro.
Infelizmente é, como já citado, um alvo de pouco interesse dos cientistas, que preferem se especializar nas diversas áreas de atuação da visão ou da audição. Porém a iniciativa de trazer o uso dos tatores não somente para o uso militar, mas também para o uso no dia a dia (cintos de segurança), é de grande importância pois poderá trazer segurança também para o homem comum. As multinacionais automobilísticas Nissan e Honda já estão ajudando esses estudos em universidades para que possam desenvolver os sistemas táteis em seus automóveis.
Para quem se interessar pelo texto original e os projetos nele apresentados, deixo aqui o link de acesso à leitura: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe1706200101.htm
Abraços, Júlia Sá.
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